Feito Pipa representa o Brasil profundo na corrida pelo Oscar
O filme de Allan Deberton visa destacar a cultura interiorana do Brasil, abordando temas como preconceito e relações familiares.
Divulgação
O filme "Feito Pipa", do diretor cearense Allan Deberton, chega aos cinemas com a missão de conquistar uma indicação ao Oscar. A produção, que estreou no dia 5 de novembro, retrata a vida de Gugu, um garoto de 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol, enquanto enfrenta o preconceito por sua identidade de gênero. A trama também aborda a relação de Gugu com sua avó, Dilma, que enfrenta o avanço do Alzheimer, criando um forte laço entre eles e expondo a realidade de muitos brasileiros que vivem longe dos centros urbanos.
O que muda para o cidadão?
"Feito Pipa" se destaca ao apresentar uma narrativa que se passa em Quixadá, no sertão central do Ceará, oferecendo uma visão autêntica e sensível da vida no interior do Brasil. Com a maioria das produções cinematográficas concentradas em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, o filme propõe uma reflexão sobre o que significa ser brasileiro fora dos estereótipos urbanos. A história de Gugu e Dilma busca dar visibilidade a realidades frequentemente ignoradas, promovendo uma discussão sobre a diversidade cultural e a importância de narrativas que representem a pluralidade do país.
O filme é uma oportunidade de mostrar ao público, tanto nacional quanto internacional, a dignidade e a riqueza da vida no interior, desafiando a visão simplista que associa o sertão à miséria. A abordagem de Deberton evita cair em clichês e busca valorizar a cultura e os modos de vida que existem nas pequenas cidades brasileiras, oferecendo ao espectador uma nova perspectiva sobre o cotidiano do "Brasil profundo".
Quem tem direito ao benefício?
Embora a narrativa de "Feito Pipa" seja fictícia, ela toca em questões reais que afetam muitos brasileiros, como a luta contra o preconceito e a busca por aceitação. O personagem Gugu representa uma geração que enfrenta desafios sociais e emocionais, refletindo a importância da inclusão e do respeito à diversidade. A história é um convite à empatia, mostrando que todos têm o direito de sonhar e de serem aceitos como são, independentemente de suas diferenças.
A produção também levanta a importância do apoio familiar em momentos difíceis. A relação entre Gugu e sua avó Dilma é uma representação do amor e da proteção que os laços familiares podem oferecer, especialmente em situações desafiadoras como o Alzheimer. Através desse enredo, o filme ressalta que, mesmo em contextos de dificuldade, há espaço para a esperança e o amor.
Com uma abordagem que valoriza as culturas locais e as histórias que emergem do interior do Brasil, "Feito Pipa" pode influenciar a percepção do público em relação à realidade do sertão e seus habitantes. Ao trazer à tona questões sociais e emocionais, o filme pode servir como um catalisador para diálogos mais profundos sobre identidade, inclusão e o que significa ser brasileiro.
Com a crescente visibilidade de produções que abordam o Brasil profundo, a expectativa é que o filme de Deberton não apenas conquiste o público, mas também receba o reconhecimento merecido nas premiações internacionais. A possibilidade de uma indicação ao Oscar poderia abrir portas para que mais histórias do interior do Brasil sejam contadas e valorizadas no cenário global, promovendo uma rica diversidade cultural.