Assédio no trabalho: atitudes naturalizadas precisam ser revistas
Especialistas debatem sobre assédio em seminário e apresentam dados alarmantes sobre o tema.
Corregedora do Ministério da Previdência Social, Vládia Pompeu apresentou situações que podem passar despercebidas nas relações profissionais, mas causar constrangimento e configurar comportamentos ab
No dia 29 de outubro, ocorreu o IV Seminário de Combate e Prevenção ao Assédio, promovido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) no Shopping ID. O evento, que teve como tema "Um ambiente seguro começa com todos nós", abordou a temática do assédio no ambiente de trabalho, com a presença da corregedora do Ministério da Previdência Social, Vládia Pompeu. Durante sua palestra, a especialista provocou reflexões sobre comportamentos abusivos que são frequentemente naturalizados nas relações profissionais.
O que muda para o cidadão?
O seminário destacou a importância da conscientização sobre o assédio no trabalho, um problema que afeta diretamente a qualidade de vida e a saúde mental dos colaboradores. Com dados alarmantes, Vládia Pompeu apresentou que, em 2025, a Justiça do Trabalho registrou 142.828 novos processos relacionados ao assédio moral, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Além disso, as ações envolvendo assédio sexual alcançaram 112.813, com um crescimento de 40%. Esses números evidenciam a urgência de se discutir e implementar práticas que promovam ambientes de trabalho respeitosos.
O impacto do assédio no ambiente de trabalho não se limita aos números, mas se reflete na dinâmica das equipes e na produtividade. A forma como os gestores se comunicam e conduzem suas equipes é fundamental para evitar situações de constrangimento. A coordenadora de Compliance e Governança do IgesDF, Lorena Mayla, enfatizou que a prevenção do assédio exige um esforço coletivo, onde todos têm um papel ativo na construção de um ambiente seguro.
Quem tem direito ao benefício?
Embora o seminário tenha focado na prevenção do assédio, a discussão sobre os direitos dos trabalhadores também foi abordada. Segundo a pesquisa Trabalho sem Assédio, realizada pela Think Eva, 57% dos entrevistados relataram ter passado por situações de assédio, mas apenas 10% das mulheres que sofreram assédio sexual procuraram os canais de denúncia disponíveis nas empresas. Essa baixa taxa de procura por ajuda é alarmante e indica a necessidade de um fortalecimento nas políticas internas de denúncia e acolhimento.
A proposta de atualização da Política de Combate e Prevenção ao Assédio do IgesDF, apresentada por Lorena Mayla, visa adequar as orientações institucionais às novas formas de interação no trabalho. Isso inclui situações que envolvem mensagens, reuniões virtuais e redes sociais. A revisão busca não apenas prevenir o assédio, mas também proteger as pessoas envolvidas e garantir que não haja retaliações, além de prestar atenção aos riscos psicossociais que podem surgir nesse contexto.
Próximos passos para um ambiente de trabalho seguro
A discussão levantada durante o seminário serve como um alerta para que todos os trabalhadores e gestores repensem suas atitudes e comportamentos no ambiente de trabalho. O assédio, muitas vezes, se apresenta de forma sutil, e é fundamental que haja um reconhecimento e uma disposição para agir em favor de um ambiente mais respeitável. Vanessa Oliveira, chefe do Núcleo de Emergências e Internações do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), reforçou a necessidade de compreender que, mesmo sem intenção, o constrangimento pode ocorrer, e que a conscientização é o primeiro passo para a mudança.
O seminário representou um avanço significativo na discussão sobre o assédio no ambiente de trabalho no Distrito Federal. A reflexão provocada pelos especialistas é um chamado à ação para que todos se tornem agentes de mudança, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro e respeitoso.